De 1520 a 1560, Matthaeus Schwarz, um contador (contabilista) alemão, documentou o seu dress code, num compêndio, o “Schwarz Book of Clothes”, que está sendo considerado pelos historiadores como o primeiro livro de moda da História (com H). Acredito que tal valorização seja reflexo do fenômeno comportamental e econômico que fizeram a moda masculina ser a última moda.

Olhares mais generosos para com a moda do homem dão uma leve cutucada naqueles que zombam dos bloggers de hoje (os bons) considerados referência, que postam o seu look do dia, refletindo assim, a moda de seu tempo histórico, mesmo sem saber que Matthaeus já o fizera há 463 anos.

“O que torna Schwarz tão admirável é o fato de ser uma das primeiras pessoas a se interessar pela moda como um fenômeno cultural”, afirma a historiadora Ulinka Rublack, que re-descobriu a sua obra. Todos os detalhes estão contados na matéria da BBC News Magazine, com o título “O contador que criou o primeiro livro de moda”.

O livro faz parte do acervo de um pequeno museu, na cidade de Brunsvique, no centro norte da Alemanha. Digo que foi RE-descoberto porque já está lá há bastante tempo, mas foi esnobado por outros historiadores que não sacaram a viagem de Schwarz, a quem consideraram apenas como “um curioso”.

Foi preciso que uma mulher “de colhões” (elogio antigo, mas respeitoso) como a Dr Rublack botasse a boca no mundo. Na renomada Universidade de Cambridge, ela é catedrática de História da Europa, focada no período que vai do final da Idade Média ao começo da Idade Moderna.

A Dr Rublack afirma que o contador não apenas foi um inovador, ampliando as fronteiras da indumentária do seu tempo e desafiando as normas da conduta, já que naquele período ser fashion era privilégio dos ricos. Ele criou o que ela chama de “um dos mais exclusivos e raros documentos da história da moda”.

a.